Primeira vez em um sertão que já vivi

Updated: Aug 19, 2019


Dia 19/4/19, ainda de madrugada na calada da noite, eu e um grupo de entidades partimos em direção ao Sertão baiano, pro Riacho da Onça. Nunca tinha ouvido falar deste lugar, então além de descobrir que existia esse lugar também redescobri muitas outras coisas. Uma caixa de presente que ganhei e quando abri, eu já estava lá. Foi uma viagem no tempo!




Passagens em lugares assim tem um efeito alquímico importante pra mim. Após algumas sessões de regressão que fiz nesta vida, de vários encontros fortes que tive desde pequena com pessoas vindas do interior de qualquer parte do mundo e de sonhos que sonhei com esse contexto, me pego novamente pensando sobre como esse assunto me orbita, habita.



Refleti sobre tantas coisas, me identifiquei profundamente com tudo ali. Ainda vou levar um bom tempo digerindo e aprendendo com essa experiência.


Colhi maxixe selvagem com Nina, uma catingueira daquelas que contava as suas estórias encharcadas de sabedoria. Ela falou que a cobra Cascavel é o bicho mais manso do mundo, porque ela sempre avisa que está por perto e contou também das vezes que teve que matar uma. Facão nelas numa boa.



Enquanto isso eu ficava alerta com qualquer barulho de grilo ao mesmo tempo que me sentia segura pelo tanto que esta senhora sabe sobre essa fauna e flora. Quanta força em uma mulher por volta de seus 82 anos de idade.



Apesar de não ter nascido neste contexto nesta vida, o nordeste é a origem dos dois lados da minha família. Me sinto muito próxima da minha raiz kármica quando estou lá. Uma sensação de pertencimento fica no ar.


Dei a “sorte” de ir pouco tempo depois de ter chovido bastante na região toda e a vegetação estar toda manifestada, incrível. Muitos tipos de cactos, com flores poderosas. O mandacaru por exemplo. Vi ele "fulorando" na seca na minha frente. Até provei seu fruto. Tem branco e tem rosa da família do choque. Honestamente, não tem gosto de nada e deixa uma sensaçãozinha na língua que não sei nem explicar o que era, mas não é ruim e passa rápido.



Muitas flores, especialmente as pequenas. Uma variedade celestial. Minha vontade era parar e fotografar uma por uma, mas isso levaria muito mais tempo do que tínhamos para elas desta vez.



Andei por cima daquele chão que vi nos livros de geografia e em noticiários falando sobre as mortes e estragos causados pela força da seca. Vi um bando de patos alçando vôo, o que parece bobo, mas eu nunca havia visto e amei. Poderia ter passado batido com foco somente no destino, mas o caminho até chegar no Riacho é impressionantemente bonito. Em seu ápice de vitalidade, é de tirar o fôlego.





Riacho da Onça, Queimadas - BA. Um pedacinho de terra no meio do sertão baiano, com aproximadamente 10,439 habitantes, que transborda magia em tudo, especialmente em seu povo que mostra como ser simples é chique e sábio.